Ora, se escrevo, quero principalmente que as pessoas me leiam!
«Ora, se escrevo, quero principalmente que as pessoas me leiam!»
Escuto isto com frequência. Eu, porém, escrevo sobretudo porque preciso de escrever. Transmutar o que me inquieta, o que observo, o que penso e as conclusões a que vou chegando é um exercício de limpeza interna.
Tenho muitos escritos que ficam guardados durante muito tempo, sem que sinta necessidade de os partilhar.
Claro que me sinto feliz quando alguém lê com atenção o que escrevo, mas a literatura anda pobre de leitores verdadeiramente interessados.
Penso, por vezes, nos grandes autores do passado, em escritores como Fernando Pessoa, Balzac, Dostoiévski, Virginia Woolf…
Pergunto-me o que pensariam se pudessem observar a forma como as suas obras hoje são tratadas.
Talvez lhes fosse difícil constatar que, por vezes, são lidas superficialmente ou usadas como chamariz para atrair público, sem que se procure verdadeiramente compreender o que o autor pretende transmitir.
Certamente muitos me chamarão de idealista, mas ainda acredito que um único leitor atento vale mais do que uma centena de indivíduos que apenas passam os olhos pelas palavras.
Muitos me perguntarão: por que publicas livros?
Publico porque acredito que aquilo que escrevo poderá, um dia, ser encontrado por alguém..
Um livro publicado é uma porta aberta. Entrará quem quiser, permanecerá quem encontrar motivo para ficar. Mas, repito, escrevo sobretudo por amor à escrita e também para que fique como herança para algum descendente meu que, um dia, queira saber quem fui.
Ada Abaé
escrito a 15 de setembro de 2026
Imagem criada pela autora no Canva.
.png)

.png)
Comentários
Enviar um comentário
Gratidão pela sua visita.